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Bad Religion @ Via Funchal – São Paulo/SP – 13.10.2011


Apresentando-se pela oitava vez em nosso país, os veteranos do harcore/punk-rock mostraram o por quê de serem uma das maiores bandas do gênero, no mundo!

Era uma quinta-feira daquelas em São Paulo: chuva, trânsito, metrô lento, correria, mas que contava, mais uma vez, com um show do Bad Religion e, agora, na fantástica Via Funchal. Este seria o primeiro show da banda na casa e a expectativa já era grande do lado de fora com filas de fãs e muita gente chegando para conferir o show dos caras que poderia (pode?) ser o último deles no Brasil.

Há alguns meses rola o boato de que esta seria a última tour mundial da banda. Greg Graffin, o sensacional letrista e líder do Bad Religion, dá aulas na UCLA em seu “tempo livre” e este compromisso teria ficado ainda mais relevante, complicando agendamento de gravações e consequentemente, turnês. Porém, não era noite de especulações, mas sim de punk-rock/hardcore e foi isto que a banda mostrou mais uma vez aqui.

O show em si foi uma chinelada na cara de cada um que estava presente. A banda talvez esteja em sua melhor forma em anos e apresentou cada canção como se fosse tocada pela primeira vez! Mais uma vez sem Brett Gurewitz (que só realiza shows de lançamento de CDs nos EUA, além de outros shows especiais) desfalcou a banda, deixando os brasileiros ansiosos por vê-lo, na saudade…

Pontualmente às 22h00, os acordes de “Resist Stance” deram as boas-vindas a todos na Via Funchal, com os membros da banda: Brian Baker, Jay Bentley, Brooks Wackerman, Greg Hetson e Greg Graffin entrando um de cada vez no palco. E foi com a canção extraída do último álbum dos caras, “Dissent of Man”, que o show começou. A platéia cantava toda a canção dando ênfase, claro, aos refrões e sing-alongs promovidos pela banda que, sem deixar a peteca cair, já emendou “Social Suicide”, do álbum “The Empire Strikes First”, sendo seguida por nada menos que “21st Century Digital Boy”. Este é um daqueles momentos em que você vê que o show seria recheado de canções da “velha-guarda” da banda e, com um começo de show absurdo destes, tudo só tinha a melhorar!

É impossível, ao longo do show, não fazer um paralelo com outras apresentações que vi dos caras por aqui. O primeiro foi em 1999, no extinto Olímpia, aquele com abertura do Pavilhão 9 e tudo mais… Os caras ainda voltaram no mesmo ano para o Skol Rock com Offspring e Vandals (com destaque total para o Vandals), vieram de novo em 2001 em turnê do álbum “New America” tendo o palco invadido ao “quase” final do show, em 2004 tocaram com Pennywise no Anhembi e retornaram ao Credicard Hall em 2006, no final da tour do álbum “The Empire Strikes First”. Em 2008, na Chácara do Jockey, já em tour do álbum “New Maps of Hell”, o show foi longo e consistente, sendo esta para mim o principal elo entre todos os shows dos caras. Algumas das apresentações podem não ter sido primorosas como o Skol Rock e o show de 2006, mas todos apresentam a linearidade dos shows dos caras o que faz com que sejam uma banda absurdamente poderosa ao vivo.

E foi o que mostraram com “Los Angeles Is Burning”, “Wrong Way Kids” (a segunda e última que tocaram do último álbum) e a dobradinha “Overture”/”Sinister Rouge” onde já era possível notar rodas de pogo sendo formadas. Até então, na minha opinião, o som estava embolado e com pouca definição entre as guitarras de Baker e Hetson, mas confesso que logo depois isto se recolveu e o som que vinha dos PAs ficou ainda melhor. Ao final de “Sinister Rouge”, a banda começou o que eu chamaria de “bloco de velharias” ou canções com tom “nostálgico” como diria Greg em dado momento do show.

Sendo impossível não notar a qualidade técnica de Brooks, um monstro na bateria da banda, rolou “I Want To Conquer The World” para a alegria de muita gente que estava lá. Com Greg Graffin citando em dado momento que após viajarem em turnê para a Austrália e Canadá, a banda iria se aposentar definitivamente, tocaram ainda “Come Join Us” (a única a ser tocada do álbum “The Grey Race”), “New Dark Ages”, “Atomic Garden” que eu não via ao vivo há muito tempo, “Before You Die”, do álbum New Maps of Hell”, sendo seguida por “Recipe For Hate” que achei sinceramente que não tocariam neste show e que teve uma resposta muito boa do público. A próxima canção foi apresentada por Greg como uma das que vão evoluindo ao longo dos anos da banda, sendo que é sempre muito apreciada pelos fãs. Na mesma hora emendam “Do What You Want”, aí sim o bicho pegou. Era roda de pogo para tudo quanto é lado e a música de pouco mais de um minuto parecia ter passado voando e o semblante de satisfação de todos da banda deixava claro que a escolha do set-list havia sido certeira.

À esta altura o show já estava ganho para a banda que retribui com uma das canções mai slegais de seu vasto catálogo, “You”, do álbum “No Control” e que foi cantada por todos em alto e bom tom… Eis que então acontece uma das coisas mais legais do show. Graffin, do nada, puxa um fã da platéia. De nome William, o mesmo estava com uma camiseta nas mãos onde lia-se “Please let me sing Modern Man” (Por favor, deixe-me cantar Modern Man). A MESMA cena aconteceu no primeiro show dos caras  que vi, em 1999, onde o MESMO cara estava lá e cantou a MESMA canção com a banda. Não deu outra, a banda tocou a canção que foi muito bem representada pelo rapaz, e a galera foi à loucura, mesmo, até mais do que em algumas canções do próprio Bad Religion.

“Generator” foi a canção que seguiu, mantendo a vibração da platéia que cantou com Greg a “versão de festivais” da canção. Indiscutivelmente uma das favoritas da galera, a canção foi tocada de maneira brilhante, abrindo caminho para uma das canções mais legais do álbum “Process of Belief”. “The Defense” é a típica canção da banda. Mais cadenciada que muitas das faixas do grupo, este foi um som onde se pôde ver a real habilidade de todos ali como músicos, com destaque mais uma vez para Brooks, o dono das baquetas da banda.

Sem parar tocaram ainda “Let Them Eat War”, com destaque para o “rap” que Jay faz nomeio do som, “No Control” que aí fez nego quase desmaiar de tão absurdo que foi e a surpresa do set, “Anesthesia”, do álbum “Against the Grain” e um dos sons mais legais da banda que me fez lembrar bem de vários shows antigos da banda e de como é sempre bom ouvir um som que não envelhece nem um pouco, por mais velho que seja (Há!)

Ao final deste som, Brooks começou a intro “ao vivo” de um dos sons mais “antigos” do set-list. O bumbo tocado em sequencia só significava uma coisa: “Along The Way”, com Greg dizendo que “talvez deva ser uma boa idéia gravar canções inéditasno ano que vem…” E que embora a banda possa “parar por um tempo” sempre nos veremos “ao longo da estrada” e o som foi tocado brilhantemente com os “duelos” de solos entre Baker e Hetson que são, sem dúvida, uma das duplas de guitarristas mais poderosas do hardcore mundial. E fechando o show, até então, o clássico “Fuck Armageddon… This Is Hell”, com vários dedos-do-meio sendo alçados por todos!

Com uma breve pausa para o BIS, fui pegar aquela gelada e acompanhei “American Jesus” praticamente colado na grade. O show estava tão tranquilo de se ver que esse foi só um plus aí… Nunca vi um show tão tranquilo de se ver como este, na casa e tudo só ficou ainda mais foda com “Infected” e o show de luzes verdes pela casa e o final perfeito com “Sorrow”, onde o refão ecoava pela casa. Com uma despedida rápida de Graffin, a banda deixou o palco com os membros saindo um a um. O final  perfeito de um show absurdamente sensacional.

Esse é o tipo de show daqueles que faz com que você goste da banda ainda mais do quanto já o faz. Foi o sétimo show que vi do caras e, tirando o primeiro que sempre será especial, este foi o melhor que vi, jamais desmerecendo os outros, porém este teve algo diferente, mesmofaltando, claro, VÁRIAS canções que poderiam ser tocadas, mas isso nã foi nada. Não sei se é por que eu estou mais velho, entendo melhor as letras do caras, mas tenho certeza que não foi apenas pelas ótimas companhias do show, mas acho que muito pela própria banda que mostrou, mais uma vez, que 30 anos (ou 31, como salientou Jay…) de estrada não é para qualquer uma.

Parabéns Bad Religion e parabéns Webrockers por mais um show absurdamente bom!

Set-List:
1. Resist Stance
2. Social Suicide
3. 21st Century (Digital Boy)
4. Los Angeles Is Burning
5. Wrong Way Kids
6. Overture
7. Sinister Rouge
8. I Want To Conquer The World
9. Come Join Us
10. New Dark Ages
11. Atomic Garden
12. Before You Die
13. Recipe For Hate
14. Do What You Want
15. You
16. Modern Man
17. Generator
18. The Defense
19. Let Them Eat War
20. No Control
21. Anesthesia
22. Along the Way
23. Fuck Armageddon… This Is Hell

BIS:
24. American Jesus
25. Infected
26. Sorrow

Para fotos do show, confira essa galeria no Flickr!
Crédito do vídeo para: toadpunk

Resenha por: Tércio Testa


3 Comentários até o momento
Deixe um comentário

Foda! Testa vc me deixou ainda mais ansioso pro show aqui de Brasilia hehe… na pilha.. vamo q vamo!

ótima resenha!

Comentário por Beer and Mess (Punk Rock)

Olá Tércio Testa obrigado pelas palavras, mas não fui eu quem cantou em 1999, o nome dele é Henrique Nardi, parabens pelo texto diferente de alguns que li por aí que provavelmente foram escritos por pessoas que não conhecem a banda.

Comentário por William Younger

Opa, fala malandro!
Eu jurava que era vc bicho… Desculp, mas são bem parecidos, pelo menos do que me lembro. Depois vou mexer no texto lá e corrigir. Valeu vc pelo comentário aí, bicho! Foi do caralho o show, mais uma vez!

Abraço!
T.

Comentário por euresenhoshows




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